sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Molduras



Querer, poder, amanhecer 
Ao sol eu deixo a fadiga
Ponho-me a caraminholar, ponho-me a correr
Deixo no passado o que há
Nas vitrines do meu ser, encantar

Quero sim, e posso querer
Um algo a mais do que eu já quis
Feliz,normalidade e destino que me ponho a buscar
Será? Dúvidas, há duvidas, há medos, pero há luta, eu quero bis

Destino? O há? Nohá? Quero saber
Já vi ,não vi e posso ver
Buscando algo incerto e que depende de algo
Algo há? Algo nohá? Algo ja houve e haverá
Saber? Posso saber, posso nem ver
É de si que depende, e algo de bom há de haver nohá?

Busco, luto, amo, odeio,rabisco, eu creio
Creio que nohá destino, nohá futuro certo
Deixo a razão falar, deixo o coração gritar
Ouço, não escuto, não escuto, balanço, prossigo
Ei de conquistar, em breve, agora, depois, amanhã
Creio que um dia eu vou te embalar, posso acreditar

Nohá razão pra não ser feliz, no há razão pra se importar
Com algo que não nos pertence, com coisas que não bonificam
Com sugestões, ideias, criticas sem valor, sem cor, sem pensar
Seguir, destino nohá, destino construir-se-á, vida se moldará

Um drink e um passo a frente







Sem exageros obviamente, há algo mais prazeroso e capaz de tornar alguém feliz do que sentir algo tão diferente e especial ? O que seria isso que está sendo sentido por tantas pessoas em um mundo tão repleto de inseguranças e carente de algo verdadeiro e natural? Dúvidas, que obviamente se tornam respostas claras e concisas na medida que o bom intérprete é um ser capaz de apaixonar-se e de entender o que resulta de uma paixão e consequentemente de todos os sentimentos dela resultantes, estes que podem mudar a vida de uma pessoa de uma hora para outra.
Qual o limite de um sentimento como esse? A loucura  e a insensatez pode confundir-se com algo tão bom e dito ingênuo e avassalador? Dúvidas como essa se traduzem em realidades cada vez mais intrigantes e entristecedoras. Porque um individuo é capaz de fazer algo de ruim pra alguém que tempos atrás daria a vida por ele? Claramente, sentimentos assim se mostram apenas recomendados pra alguém que é capaz de manter os pés no chão e pensar , mesmo quando esses sentimentos não são mais correspondidos.
Não é loucura, é a verdade aos nossos olhos. O amor e tantos sentimentos parecidos não são feitos pra pessoas frágeis e incapazes de buscá-los novamente em outra pessoa, seguir em frente. Esses sentimentos necessitam de um meio, de um ser, que acredite nele realmente e que seja capaz de demonstrar esse amor mesmo quando ele se acaba. Como? É loucura pensar assim? Não, claro que não. A maior prova de amor a uma pessoa é desejá-la o bem mesmo quando tudo se desfaz, é pelo menos não fazer nada que possa lhe causar tristeza. Porque pensar assim? Porque pessoas maduras e que realmente sabem o que é amar pensam e agem dessa forma. Basta lembrar-se do quão bom foi todos os momentos vividos juntos a essa pessoa, do quão feliz foram eles, isso que deve prevalecer.
Obviamente, isso depende muito dos motivos que levaram ao término dessa relação, porém alguém que, sejam quais os motivos é capaz de pensar assim, com paz interior e alegria no coração, é alguém preparado para ser feliz e que encontrou a verdadeira fórmula.

Não é fácil falar sobre algo tão delicado como o tema em questão.. É indecifrável, é imprevisível, cada mente humana é construída sob uma realidade distinta, e consequentemente capaz de pensar de formas distintas. Todavia, pense, um pouco mais, um drinque, uma poesia, um dilema, uma lógica, uma decisão.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Amnésia em Rótulos



Em mundo onde se tem a certeza que os contos de fadas não existem, que adultos ou quase adultos enchem os pulmões e o ego para dizer o mesmo, que a palavra e o sentido de Razão se confunde com a idade, o que se percebe quando o assunto é amor, são antíteses e devaneios que facilmente se confundem com os contos de fadas, até então ultrapassados e deixados na infância. Como em um lapso de amnésia seres esquecem ou ignoram tudo que aprenderam com as relações que tiveram durante toda a sua vida, sejam conjugais, familiares, de amizade e outras afins, e preferem fingir que nada aconteceu, que está tudo bem ou que assim ficará apenas com o passar do tempo.
Talvez tenham razão, o tempo tem esse poder de amenizar as dores e de provocar o esquecimento, porém, é sábio deixar-se levar pelo medo e nem ao menos tentar emendar os retalhos de um sentimento? Há quem diga que sim. Cada ser é dono e governante de suas ações. Mas que fique bem claro que "O Cuidado de Si" já mencionado anteriormente em outra publicação, não deve ser utilizado e se confundir com ações impensadas, bem como não devem ser utilizado para se referir á ações baseadas em um ego extremista.
Ao mesmo tempo que o ego e o importar-se apenas com si mesmo aflora quando o primeiro obstáculo em uma relação surge, se apresenta também uma desinteligência evidente, ou seria medo? Quantas coisas na vida deixamos de lado ou passar por uma falta de vontade ou simplesmente por medo de que as coisas continuem não dando certo.
Porque quem desiste no meio do caminho é fraco, quem ama somente nos momentos bons é egoísta, quem não é capaz de compreender e ceder não crescerá. O velho pensar que o amor cai do céu e se mantém por força própria a muito tempo deve ser desconstituído e dar lugar a algo real.
Saia do mundo das fantasias, príncipes e princesas não existem, perfeição é algo muito raro ou inexistente hoje em dia. Use seu ego para os momentos apropriados, com sabedoria, com inteligência. Contos de fadas não existem, amor á primeira vista também não.
Em qualquer relação humana o que deve prevalecer é o bom senso, a compreensão, a paciência e a doação. Amor não é um rótulo que se dá a qualquer relação temporária que una duas pessoas, amor é algo que se constrói com muito esmero, cuidado, carinho e reciprocidade. O que é reciproco cria um elo tão forte que resiste a qualquer turbulência em uma vida repleta de inconsistências e desapegos.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

O Cuidado de Si em face de um indivíduo livre


O que pensamos ao término de um dia ou ao iniciar de outro? As atitudes que tivemos no decorrer desse dia foram corretas e proveitosas? Focault desenvolveu uma ética-política que nos faz possível examinar muitas questões do cotidiano, da sociedade, entre elas esta que nos foi apresentada ao início.

O que somos? O que somos capazes de ser? O que fazemos? O CUIDADO DE SI segundo Michel Foucault engloba o examinar-se, o controlar-se e o pôr-se a prova em busca de respostas e posteriormente mudanças que beneficiariam e muito o SER de cada pessoa. Em analogia, o simples exercício de sentar e se questionar sobre cada atitude, ação, acontecimento do seu cotidiano, poderia pôr fim a muitas angústias, dúvidas, desavenças e conflitos existentes no âmago das famílias e da sociedade, além de conflitos existentes do próprio indivíduo para consigo mesmo.

Tal exercício consiste entre outras coisas, no ocupar-se de si mesmo, cuidar-se de si mesmo para depois poder cuidar de outro, é o desapegar-se das coisas inúteis de sua vida, é o governo de si e de suas atitudes, aprender e desaprender buscando um aperfeiçoamento, tudo isso aliado a um exame de reflexão e consciência que deveria fazer parte do dia a dia de toda pessoa.

Em consonância com tal Ética, podemos dizer assim, surge-me uma questão visivelmente constante na vida de muitos indivíduos, a  super-dependência em relação a outra pessoa para sentir-se feliz e realizado. Observa-se que o esquecimento toma conta das mentes dos indivíduos, á medida que "alienam" sua vida e constroem o alicerce da mesma entrelaçado á vida de outros. É a constante dependência que põe o indivíduo á margem de um certo poder e também de que suas vidas, ao término do elo que une-os, não faça mais sentido algum, ou que se encontrem perdidos em um labirinto difícil de se sair.

Nesse exato momento, Focault pode dar uma enorme contribuição para o indivíduo desvendar esses labirintos. O cuidado de si, o pensar no melhor pra si, o aprendizado, o governo de suas ações, o examinar cada acontecimento em face de tornar-se independente e feliz consigo mesmo, pode fazer toda a diferença quando o assunto é superar uma perda, esta consubstanciada na imagem e nos elos de um sentimento muito forte.

Popularmente se pode dizer que tal atitude é uma demonstração de amor próprio, mas a verdade é que se trata de uma ética-moral que se utilizada regularmente e corretamente pode levar o indivíduo ao caminho de uma felicidade concreta e principalmente a um sucesso inevitável.

Claro que quando Foucault pensava sobre o Cuidado de Si e outras questões, vislumbrava suas aplicações a tantos outros fatos e ações que não especificamente o que foi abordado, porém quando se trata de um assunto tão delicado como se são sentimentos e relações, essa filosofia se mostra ao meu ver perfeitamente aplicável e de uma lógica prática: Cuidar de si mesmo primeiramente, construir uma base forte e livre, para depois sim ter a capacidade de cuidar de outra pessoa.







terça-feira, 16 de junho de 2015

Um turbilhão de atos

O homem verá a esposa ao amanhecer, descabelada, com os olinhos inchados de sono, e tonta a tropeçar nos seus passos e sorrirá consigo pensando: "Que doce visão tenho ao acordar!  Minha amada, minha linda, minha princesa, a mulher que faz dos meus dias os mais belos e que faz de si minha sustentação". A verdade é que um sorriso largo, um olhar, um principio de uma lágrima, de felicidade, mesclados com uma preguiça quase que dominadora, traduzem-se facilmente num abraço longo e duradouro, demostrando que aquele momento é simples, é cotidiano, mas um dos momentos mais lindos do seu dia.

Aquele momento capaz de recarregar as energias e mostrar o porquê de todo dia estar ansioso pela volta á sua casa. Chegar correndo, tirar os calçados apertados e que calejam, repousar sobre uma poltrona esperando sua amada chegar, cansada, resmungando, reclamando, estressada, e apenas observar. Ouvir atentamente, com os olhos saltados, como se o que ouvisse fosse uma música para seus ouvidos. Assim, lentamente, a chama para seu colo, e olhando em seus olhos, sorrindo, segurando sua mão entrelaçada na sua, em gestos de carinho e afago,  a beija carinhosamente e tudo que antes fora díficil de resolver, se torna a coisa mais simples e descomplicada, quando eles se tem um ao outro.

Esperar, desculpar, correr, brigar, sorrir, divertir, resmungar, beliscar, morder, beijar, tocar, abraçar, sentir, a vida é uma sucessão de atos voluntários e involuntários, entre eles esses, que quem não tem quer ter, sente falta, e quem tem deve valorizar e cultivar como um diamante a ser lapidado em meio a um milhão de tentativas se necessário.

sábado, 6 de junho de 2015

A Vida é uma festa e tem o Simples como Salão de Atos

Invariavelmente nos perguntamos: Qual o sentido da vida? Assim que nos deparamos com alguma dificuldade e não conseguimos superá-la somos tomados por uma indecisão e uma névoa que paira sobre a razão. Mas e qual o sentido da vida se tudo fosse perfeitamente encaixado no seu devido lugar?

Como tudo que acontece na vida, ao movermos um tijolo que constrói muros a nossa frente precisamos nos reinventar, agir com inteligência, paciência e sobretudo sabedoria para burlar essa parede e seguir em frente, justamente em busca da felicidade que todos sonham alcançar. Todavia, seria mesmo necessário passar por todas essas dificuldades e experiências para sermos felizes?

Há quem diga que e sim, outros como eu diriam que não necessariamente. Todos os desafios servem para um crescimento interno, como um treinamento para a vida que nos será apresentada a cada dia, aperfeiçoando o caráter, aprendendo com os erros e os acertos. Mas esse é apenas o começo para alguém que deseja ser feliz, na verdade, a felicidade que todos buscam incessantemente em coisas materiais e impossíveis muitas vezes, se encontra em coisas simples, em detalhes tão percebíveis ao nosso redor, que o primeiro sintoma ao nos chocarmos com a realidade é um sentimento de tolisse.

Detalhes, simples detalhes e retalhos de uma vida simplesmente perfeita. O amor o que seria? O amor é um desses detalhes, simples, intensos, verdadeiros, que quando devidamente lapidado e verdadeiro muda a vida até mesmo do mais descrente e "mutilado" ser.  Esse sentimento se apresenta sob as mais variadas formas, como um puro amor de mãe, pai e filho, de irmão, de amigo, até chegarmos aquele amor que todos sonham e vislumbram como " a cara metade".

Por quê confundimos AMOR com COISA? Por quê os que o conhecem evitam-no sempre? A resposta é mais simples do que parece. Porque muitos não tem a capacidade de distinguir e até mesmo nutrir algo tão valioso.

Primeiramente, o amor não nos dá o direito de tirar a liberdade de ninguém, nem tratarmos uma pessoa como coisa ou nosso pertence. Isso apenas destruirá sua essência e o  mitigará . O amor é LIVRE! Prender-nos a alguém e esquecer de viver, abdicar de nossos sonhos e levar quem amamos a fazer o mesmo é o primeiro passo para este cair no esquecimento algum dia.

Cultive-o com alegria, com respeito, com cumplicidade, com carinho, e sobretudo com liberdade, que  a felicidade estará sempre á sua porta! Amor de pai, amor de mãe, amor de amigo, toda forma de carinho e que tocam nossa alma, é o verdadeiro caminho para a felicidade eterna, e a base para buscarmos o que demais sonhamos.

A vida verdadeiramente é uma festa, cada ser humano tem sua essência, e sua forma de ser feliz! O simples, aaahh o simples, sempre terá uma gota que seja do elixir para um sorriso!

sábado, 11 de abril de 2015

Crônica: O viajante

Houve a muito tempo em uma estrada dessas da vida, um homem que decidiu deixar os pesadelos de sua vida e viajar a um lugar conhecido apenas por ele. 40 anos. Empresário de grande sucesso. Muito doente. Deixou para trás tudo que de valor material tinha, que não era pouco e durante toda sua vida batalhou para ter. Colocou o pé na estrada e levou consigo somente as lembranças de uma vida inteira ,uma câmera digital, um bilhete no bolso e uma mochila pequena nas costas.

Andou por quilômetros, passou sede, passou fome, cansado, chorou, mas jamais perdeu a coragem. Toda vez que se sentia triste e pensava em desistir de sua caminhada, sentava em algum lugar e sob uma mistura de lágrimas e risos lia várias e várias vezes o bilhete que guardava com tanto zelo.

Na beira de um riacho lavava o rosto e de repente passavam flashs da vida em sua cabeça. Estranho.Num salto e cantarolando seguia sua trajetória rumo a um lugar desconhecido, onde ele acreditava que iria encontrar algo.Estranho.Instigante.Investigável.O sol já vai se pondo e a noite vem chegando, o homem não se preocupa onde irá passar a noite, se detém apenas a fotografar e admirar aquela visão encantadora.Pensar.Sorrir.Chorar.Seguir.

Os olhos já não respondem aos seus comandos, o corpo clama por uma boa noite de sono, mas é ali, ao pé de um carvalho que o incansável ser repousa, abraçado com todas as forças em sua mochila, adormece, descansa. Ao mesmo tempo,  em outro lugar, dessa mesma estrada da vida, vislumbra-se um jovem rapaz adentrando em uma universidade, não a sua, estava a procura de algo, alguém que é capaz de deixá-lo nervoso e ansioso para encontrar.

O jovem vai diretamente a direção da universidade. Conversa com uma moça por minutos, segundos, centésimos de segundo, não se tem certeza, a pressa do jovem era tanta, que ao ver a direção para onde a moça apontava, se pôs a caminhar rapidamente. Feliiz, sorrindo, seu coração batendo mais forte a cada passo que dava, não acreditou ao ver uma linda moça de costas. 

Anaa! Ele gritou. A jovem virou-se rapidamente. Pálida, parecia não acreditar no que via. O que fazer? ela pensou. Não teve muito tempo, o jovem rapaz a abraçou rapidamente e se pôs a dizer: Desculpe-me. Eu fui um bobo. Senti tanto a tua falta, do seu carinho, do seu querer, da sua voz meiga e manhosa, do seu cheiro, do seu cabelo, do seu amor. E aos poucos ia tocando-a, segurando em sua mão e em lágrimas misturadas a um sorriso.

Ela o entendeu. Ela o queria ali. Também não queria o deixar partir mais. Passaram o dia juntos em um parque que costumavam ir sempre.Um sorriso, um beijo, dois sorrisos, um beijo. O aconchego entre os dois mostrava que teriam uma vida longa pela frente juntos. De repente, a moça o dá um presente, um mimo, uma blusa sua que usava para dormir e o fez prometer que nunca mais deixaria algo os afastar. Assim o disse. Assim não aconteceria.

Como se dois universos existissem e com um cometa invade a crosta terrestre, o empresário viajante acorda! Assustado, Suando frio. Sorrindo por um instante. Foi um sonho. Se pôs a chorar demasiadamente, enquanto abria a mochila e finalmente revela o que guarda com tanto carinho.Era a blusa da sua amada, com o mesmo cheiro que tanto adorava. O bilhete? Era de Ana, o primeiro de uma dezena deles que havia recebido.

Foi apenas um sonho, mas para aquele homem foi como reviver e viver tudo que tão mais desejava e não teve coragem antes de lutar.

Agarrou-se com tanto carinho a aquela blusa junto a seu peito, pensando: - Onde estaria Ana? o que estaria fazendo? Ainda lembraria de mim?  e deitando-se novamente ao pé do carvalho, pensativo, sorrindo, adormeceu. Esse ato repetiu-se durante toda a sua vida, ao dormir não deixava de lembrar de seu tesouro, e apegava-se a tudo que lembrasse aquele amor que jamais esqueceria.

Aquele lugar, aquele carvalho onde adormeceu foi seu destino final.Jamais acordou novamente. Não sabia ele que havia conseguido chegar. O parque em que ele e Ana se conheceram e que passavam horas e horas de seu tempo livre juntos.