Houve a muito tempo em uma estrada dessas da vida, um homem que decidiu deixar os pesadelos de sua vida e viajar a um lugar conhecido apenas por ele. 40 anos. Empresário de grande sucesso. Muito doente. Deixou para trás tudo que de valor material tinha, que não era pouco e durante toda sua vida batalhou para ter. Colocou o pé na estrada e levou consigo somente as lembranças de uma vida inteira ,uma câmera digital, um bilhete no bolso e uma mochila pequena nas costas.
Andou por quilômetros, passou sede, passou fome, cansado, chorou, mas jamais perdeu a coragem. Toda vez que se sentia triste e pensava em desistir de sua caminhada, sentava em algum lugar e sob uma mistura de lágrimas e risos lia várias e várias vezes o bilhete que guardava com tanto zelo.
Na beira de um riacho lavava o rosto e de repente passavam flashs da vida em sua cabeça. Estranho.Num salto e cantarolando seguia sua trajetória rumo a um lugar desconhecido, onde ele acreditava que iria encontrar algo.Estranho.Instigante.Investigável.O sol já vai se pondo e a noite vem chegando, o homem não se preocupa onde irá passar a noite, se detém apenas a fotografar e admirar aquela visão encantadora.Pensar.Sorrir.Chorar.Seguir.
Os olhos já não respondem aos seus comandos, o corpo clama por uma boa noite de sono, mas é ali, ao pé de um carvalho que o incansável ser repousa, abraçado com todas as forças em sua mochila, adormece, descansa. Ao mesmo tempo, em outro lugar, dessa mesma estrada da vida, vislumbra-se um jovem rapaz adentrando em uma universidade, não a sua, estava a procura de algo, alguém que é capaz de deixá-lo nervoso e ansioso para encontrar.
O jovem vai diretamente a direção da universidade. Conversa com uma moça por minutos, segundos, centésimos de segundo, não se tem certeza, a pressa do jovem era tanta, que ao ver a direção para onde a moça apontava, se pôs a caminhar rapidamente. Feliiz, sorrindo, seu coração batendo mais forte a cada passo que dava, não acreditou ao ver uma linda moça de costas.
Anaa! Ele gritou. A jovem virou-se rapidamente. Pálida, parecia não acreditar no que via. O que fazer? ela pensou. Não teve muito tempo, o jovem rapaz a abraçou rapidamente e se pôs a dizer: Desculpe-me. Eu fui um bobo. Senti tanto a tua falta, do seu carinho, do seu querer, da sua voz meiga e manhosa, do seu cheiro, do seu cabelo, do seu amor. E aos poucos ia tocando-a, segurando em sua mão e em lágrimas misturadas a um sorriso.
Ela o entendeu. Ela o queria ali. Também não queria o deixar partir mais. Passaram o dia juntos em um parque que costumavam ir sempre.Um sorriso, um beijo, dois sorrisos, um beijo. O aconchego entre os dois mostrava que teriam uma vida longa pela frente juntos. De repente, a moça o dá um presente, um mimo, uma blusa sua que usava para dormir e o fez prometer que nunca mais deixaria algo os afastar. Assim o disse. Assim não aconteceria.
Como se dois universos existissem e com um cometa invade a crosta terrestre, o empresário viajante acorda! Assustado, Suando frio. Sorrindo por um instante. Foi um sonho. Se pôs a chorar demasiadamente, enquanto abria a mochila e finalmente revela o que guarda com tanto carinho.Era a blusa da sua amada, com o mesmo cheiro que tanto adorava. O bilhete? Era de Ana, o primeiro de uma dezena deles que havia recebido.
Foi apenas um sonho, mas para aquele homem foi como reviver e viver tudo que tão mais desejava e não teve coragem antes de lutar.
Agarrou-se com tanto carinho a aquela blusa junto a seu peito, pensando: - Onde estaria Ana? o que estaria fazendo? Ainda lembraria de mim? e deitando-se novamente ao pé do carvalho, pensativo, sorrindo, adormeceu. Esse ato repetiu-se durante toda a sua vida, ao dormir não deixava de lembrar de seu tesouro, e apegava-se a tudo que lembrasse aquele amor que jamais esqueceria.
Aquele lugar, aquele carvalho onde adormeceu foi seu destino final.Jamais acordou novamente. Não sabia ele que havia conseguido chegar. O parque em que ele e Ana se conheceram e que passavam horas e horas de seu tempo livre juntos.